Projeto de vida e a realização de sonhos

Atualizado: Abr 11


Eu tenho um sonho, disse Martin Luther King Jr., ativista e pastor estadunidense, que lutava pela garantia dos direitos civis e contra a segregação racial de negros.

Já haviam se passado 100 anos desde a assinatura pelo então presidente Abraham Lincoln da Proclamação de Emancipação — documento que pôs fim na escravidão nos territórios confederados.

Martin sonhava em ver um mundo de igualdade, uma irmandade de pessoas com respeito à diversidade, de pessoas caridosas, que se respeitassem e se ajudassem mutuamente.

Apesar de esse ser um grande sonho, ele era apenas isso: algo imaterial, intangível, difícil — ou impossível — de ser monitorado, controlado, ajustado.

O desejo do ativista, explícito em seu discurso atemporal, I have a dream, era causar uma mudança real, concreta, não apenas ficar no campo das ideias e das palavras proferidas às multidões.

Para que isso acontecesse, ou pelo menos para amplificar suas chances de sucesso, Martin precisou converter seu grande sonho em um projeto de vida.


Projeto de Vida


Veja que o projeto de vida de Martin nasceu de um sonho. O seu desejo não era apenas mudar a sua vida, mas a de todos aqueles que fossem injustiçados pela tirania do preconceito racial e pela desigualdade multifacetada. Era algo muito, muito grandioso.

A grande diferença entre sonho e projeto de vida é que este, por ser alicerçado em planejamentos sólidos e eficientes, é possível de ser controlado, monitorado, ajustado e reajustado sempre que necessário.

Por ser planejado, no projeto de vida conseguimos antever a maioria dos riscos que podem nos acometer ao longo de nossa jornada. Partindo disso, criamos estratégias de combate aos infortúnios que chamamos de riscos.

Dá também para listar as limitações do nosso projeto, declarar a nossa missão, destacar a nossa visão, os nossos valores, as nossas premissas. Podemos criar estratégias eficientes para cada etapa do projeto, bem como ações intencionais, sempre linkadas às nossas estratégias.

Em nosso plano de ação, estabelecemos metas reais e possíveis.

Ao superá-las, comemoramos e experimentamos a sensação indescritível do dever cumprido, do compromisso com a própria vida.

E se tudo der errado? Podemos redesenhar.

Em março deste ano, publiquei o livro Arquitetos de Vidas: Como converter sonhos em projetos e projetos em realizações. Nele, além de reflexões e histórias reais inspiradoras, vividas por mim e por meus alunos, ensino detalhadamente como converter o seu sonho em projeto de vida.

Seria melhor apenas sonhar


O sonho pode ser o seu ponto de chegada, mas, definitivamente, não é a sua trajetória.

Apenas sonhando, os caminhos a serem percorridos não ficam evidentes.

Na verdade, sonhos são devaneios, não ações.

Se apenas sonharmos, corremos o risco de deixarmos os ventos do tempo nos conduzirem, enquanto apenas torcemos para que eles nos levem ao nosso ponto de chegada desejado.

Mas isso é bem improvável de acontecer, concorda?

Por outro lado, a vida sem sonho é uma vida sem rumo, sem propósito, aleatória; é uma vida de tanto faz.

Neste ponto, é impossível não lembrar da resposta que o Gato de Cheshire deu a Alice quando ela lhe perguntou qual seria o caminho para sair daquela Floresta. Após ele perguntar à menina sobre aonde ela desejaria ir e a mesma respondê-lo que não importava, desde que ela saísse dali, o Gato fala enfaticamente:

Sonhar lhe faz saber aonde ir, mas somente um bom projeto de vida lhe dirá como e por onde ir.

Por que não apenas sonhar?

Porque você também deseja realizar esse sonho.

Para realizá-lo, você deve ter claros os caminhos, as paradas, os meios, as ferramentas certas, os apoios necessários, os seus limites e as suas potencialidades, você deve agir com base em estratégias; você deve, portanto, ter um projeto de vida.


Convertendo os meus sonhos em projetos vitais


Perceba que antes da construção de um prédio há uma longa fase de planejamento.

Os arquitetos gastam muitas horas desenhando e redesenhando o projeto até que um dia ele passa a ser executado.

A obra não começa pela execução. Primeiro há um paciente planejamento.

Para elaborar a planta, os arquitetos precisam conhecer os desejos dos proprietários em relação ao imóvel.

Não é diferente com o um projeto vital: primeiro devemos buscar o autoconhecimento.

Claro que não um conhecimento pleno de si, pois isso seria impossível, uma vez que a vida é dinâmica e estamos em processo constante de mutação. Mas, pelo menos, um conhecimento do nosso eu presente, daquilo que nos motiva, dos nossos valores e premissas, da nossa visão e da nossa missão, do nosso propósito e o que ele significa para nós.

Após, passamos à fase do plano de ação — ferramenta que contém todas as etapas do nosso projeto vital: visão, missão, valores, premissas, objetivos, metas, estratégias, ações, riscos, restrições e fases de monitoramento.

O plano de ação do nosso projeto de vida deve ser o nosso texto de cabeceira e ser recorrido com bastante frequência.

A fase de planejamento não é uma perda de tempo. Muito pelo contrário, um bom planejamento reduzirá o tempo de execução do seu projeto e limitará os riscos em sua trajetória.

Converter sonhos em projetos vitais é um processo delicioso e necessário. Apesar de ser gostoso trabalhar nessa conversão e na execução do planejamento até ver o seu sonho ganhar contornos reais, isso demanda paciência.

Mas estamos falando da nossa vida. Ela merece o máximo de nossa atenção, não é?

Não dá para explicar cada passo desse processo aqui. Contudo, em meu livro Arquitetos de Vidas você encontrará uma mentoria completa, desde a etapa do autoconhecimento à elaboração de cada ferramenta citada neste artigo, tudo em uma linguagem simples, como se tivéssemos tomando uma boa xícara de café enquanto construímos um futuro melhor.

O livro está disponível nos formatos digital e impresso. Para acessá-lo, basta clicar em www.robisonsa.com.br/livros.

Espero lá por você.

Grande abraço!

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