Os Bailarinos dos Ventos

A percussão em meu peito indica um ritmo inédito, vibrante.

Começo a dançar nesse balé estonteante.

Dou piruetas no ar e descarrilo completamente os meus trilhos,

rumando a um mundo desconhecido, bonito.

Neste momento, o destino parece não me importar.

Relaxo o meu corpo e sinto-me desabrochar,

como uma flor que exibe suas pétalas na brisa matinal,

sobre a relva que se curva ante beleza descomunal.

Este sou eu, pisoteando o ar e sobrevoando um mundo cheiroso,

embalado pelas batidas do meu coração dengoso,

que roda em minha mente as cenas de um enredo à la Sparks,

imbuídas de uma emoção de praxe.

De repente, surgida de um alforge cintilante,

uma bailarina celestial rodopia ao meu redor, congelando-me num instante.

As batidas se amplificam, misturadas na torrente que se aproxima.

Os céus tocam a minha música, enquanto aquele anjo me domina.

Vejo em seus olhos as fusas e semifusas passeando.

Os seus pés procuram os meus, nervosos, cambaleando.

Minha mão laça o seu corpo e traz ele para mim,

ardente, em erupção, iniciando uma história sem fim.

O seu coração sincronizou-se ao meu e a música já não era só minha,

mas de tão sincronizados, convergente se mantinha.

O mundo pisoteado pelos nossos pés acabou se esmaecendo,

apagando pouco a pouco, partindo, mas não sofrendo.

Outro mundo se fazia, habitado por nós dois,

os bailarinos dos ventos, de um tempo que não se foi,

congelado eternamente, escravo do nosso amor.

Os dias amanheciam ao som da orquestra celestial,

regidas pelo maestro que compôs o sopro vital,

rendido à dança eterna, à gênese de um amor fundamental.


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