A dor dos sonhos não realizados

Como converter sonhos em projetos de vida e potencializar suas chances de realização

Talvez você esteja no grande grupo de pessoas que amargam todas as noites e manhãs a triste realidade de não ter conseguido fazer da sua vida aquilo que um dia sonhou.

Essa é uma dor viva, orgânica, que se multiplica diariamente e devora a paz e a felicidade. Ela começa pequena, mas se agiganta rapidamente, a ponto de ser tão forte que já não somos mais capazes de senti-la, apenas de percebê-la. Sabemos que ela está ali, ocupando um espaço que deveria ser preenchido com tudo aquilo que nos faz bem.

Pouco a pouco, os sonhos vão esmaecendo. Tentamos diminuir sua transparência, mas estamos fracos, esgotados pela sensação de fracasso, que se alimenta da nossa energia mais pura.

Se você sonha, mas não sabe mais o que fazer para realizar esse sonho, este texto é para você.

Nas próximas linhas, falaremos sobre as consequências de remoer os “fracassos” ao invés de refazer a trajetória e se colocar novamente em movimento. Mas não só isso, conversaremos sobre a transição do sonho ao projeto de vida, essa ferramenta extraordinária que tem transformado as vidas de tantas pessoas ao redor do mundo. De forma mais detalhada, falaremos sobre:

1. Sonhar não é suficiente

2. As armadilhas do cérebro preguiçoso

3. Sonhos vs projetos de vida

4. Como converter sonhos em projetos de vida

5. O antídoto para o veneno dos sonhos não realizados

6. O tempo não espera por você

7. Nunca perca a esperança

1. Sonhar não é suficiente

Viver sem sonhar é não saber para onde ir, o que buscar, o ponto de chegada. A vida assim é sem rumo e perigosa, uma vez que depende do acaso, dos efeitos positivos que possam ou não brotar do caos.

Cada sonho é um ponto no mapa e, nesse sentido, os sonhos nos motivam a viver para desbravar, para conquistar um novo território e usá-lo na preparação da próxima conquista.

Os sonhos nos convocam ao movimento, mas não são suficientes para garantir que iremos nos movimentar. Eles são o ponto de chegada, mas não são a trajetória.

Para além disso, não temos controle sobre os sonhos, uma vez que eles são imateriais, devaneios, desejos profundos que não podemos tocar. Mas... e se pudéssemos dar corpo aos sonhos e trazê-los para o alcance das nossas mãos?

Continue lendo este texto e descobrirá que isso é possível e relativamente simples.

2. As armadilhas do cérebro preguiçoso


“Amanhã irei começar a fazer caminhadas. Minha meta para esse início é de 15 km.”
“A partir da próxima semana, todos os dias lerei 50 páginas de algum livro.”
“No mês que vem, darei início à escrita do meu livro de romance.”

A nossa mente é recheada de planos e metas, que sempre imaginamos ganhar vida nos próximos dias, semanas ou meses. Tudo isso fica escrito nas páginas da memória, como se fosse um desejo de segundo plano, algo que gostaríamos muito de fazer, mas que nada faremos, de fato, para dá-lo vida.

O cérebro, preguiçoso que é, resgata memórias de coisas que te dão prazer e causam sensação de conforto e esforço mínimo.

Na hora da corrida, por exemplo, uma pequena dor na perna já será suficiente para desistir e acionar o Youtube e sua lista infinita de vídeos.

Chega a vez de ler as primeiras 50 páginas do livro pretendido. Após a segunda, uma notificação no celular rouba a atenção. Talvez seja melhor deixar o livro para depois e assistir a um filme ou a alguns episódios de séries. Pode ser mais viável cochilar, descansar o corpo assolado pela labuta diária.

Se você não perceber esse padrão, sempre será conduzido a escapar da execução daquilo que planejou.

Junte a isso o fato de que não é viável o estabelecimento de metas irreais, impossíveis. O nosso cérebro gosta de recompensas, de pequenas vitórias. Se eu previ que caminharia por 15 km e só consegui andar a metade disso, ao invés de experimentar o doce sabor da vitória, amargarei o fracasso. Metas inviáveis são, também, responsáveis pela protelação. Sabendo que não dá para alcançá-las, desistimos sem tentar.

Esses pequenos fracassos diários são grandes assassinos de sonhos, são eles que nos roubam a paz e deixam no lugar as angústias.

A boa notícia é que eles podem ser evitados de uma maneira simples e linda. Vamos mergulhar ainda mais fundo nas próximas linhas.

3. Sonhos vs projetos de vida


Já conversamos sobre a importância dos sonhos em nossas vidas, não importa em qual fase dela estamos. Sonhar é querer ir além, é erguer-se do cansaço e andar um pouco mais. Mas os sonhos não são suficientes, lembra-se?

Falei que podíamos dar corpo aos sonhos, torná-los palpáveis e controláveis. É disso que falaremos agora. Vem comigo?

Sabemos que sonhos são o ponto de chegada, mas não a trajetória. Para potencializar as chances de sucesso e evitar os perigos do caminho, convertemos sonhos em projetos de vida (ou projetos vitais).

Um projeto de vida é um sonho que ganhou corpo. Esse corpo é um planejamento detalhado, capaz de fazer previsões de riscos e criar estratégias antecipadas de combate.

O projeto de vida é para o sonho o que o corpo é para o espírito.

O desejo, antes escrito apenas na mente, agora tem seus contornos desenhados no papel, um verdadeiro mapa, seguro e confiável, capaz de, se posto em ação, nos levar ao destino querido.

Essa é uma das ferramentas mais poderosas quando o assunto é a realização de sonhos.

A seguir, discutiremos sobre como fazer a conversão de um sonho em um projeto vital.

4. Como converter sonhos em projetos de vida

O processo de conversão, apesar de relativamente simples, exige tempo, paciência e força de vontade.

Mas estamos falando das nossas vidas, então não consigo visualizar algo que mereça mais a nossa atenção.

As etapas de conversão englobam autoconhecimento, estabelecimento de valores e visão, declaração da missão, objetivos claros, metas possíveis e reais, estratégias poderosas, ações intencionais e alinhadas às estratégias, previsão de riscos, consciência das restrições, monitoramento dos resultados, redesenhos constantes.

Todas essas ferramentas, conectadas entre si, constituem o Plano de Ação do Projeto de Vida.

Por muito tempo, a compreensão dessas ferramentas era algo difícil de se alcançar. Eu mesmo penei bastante para ter uma ideia clara sobre cada uma delas. Por esse motivo, para que ninguém mais precisasse passar pelo que passei e ter nas mãos uma mentoria completa de como converter sonhos em projetos de vida, escrevi “Arquitetos de Vidas”, um livro que explica temas complexos utilizando uma linguagem simples e acessível.

Seriam necessários vários posts para explicar cada uma dessas ferramentas incríveis. Felizmente, todas elas estão disponíveis no livro, que está disponível nos formatos impresso e digital, trazendo, além do já mencionado, histórias reais vividas por mim e por meus alunos, momentos inspiradores da vida real que compartilho com você. Convido-o à leitura que irá transformar a sua vida.

5. O antídoto para o veneno dos sonhos não realizados

O veneno dos sonhos não realizados se espalha rapidamente pela nossa mente, contaminando-a com a falsa certeza de que somos incapazes, incompetentes, fracassados.

É bom que tenhamos clara a ideia de que alguns sonhos são mais fáceis de serem realizados; outros, nem tanto. Além de um bom projeto de vida, devemos ter consciência do tempo necessário à sua realização. Não dá para apressar o tempo, dá apenas para fazer um bom uso dele no projeto escolhido.

Garanto que um bom projeto vital é o antídoto para remover de vez esse veneno. Isso porque ele trará metas realizáveis, que serão atingidas ao longo da trajetória e liberarão as sensações incríveis do dever cumprido e das pequenas vitórias. Além disso, ele preverá os riscos e os contornará, ou criará estratégias de combate, minimizando, e muito, as chances de sermos surpreendidos pelas armadilhas do mundo caótico. Cada etapa do projeto é um ingrediente importante para aumentar nossas probabilidades de vitória e eliminar de nós as toxinas do veneno dos sonhos não realizados.

6. O tempo não espera por você

Quer começar uma dieta?

Faça isso agora mesmo.

Quer iniciar uma rotina de estudos?

Faça isso hoje mesmo.

Pretende realizar um sonho?

Comece imediatamente a convertê-lo em projeto de vida.

O tempo não nos espera. Ele simplesmente flui, sem interrupções. Não porque queira machucar ou atrapalhar nossos planos, mas porque essa é a sua natureza.

Se não estivermos atentos a isso, ou seja, de que a vida é finita e a cada segundo ficamos sem uma fração dela, sucumbimos à protelação, essa engolidora de sonhos, sempre nos induzindo a deixar as coisas importantes para depois.

Reflita sobre seus sonhos, elabore um plano poderoso e aja para tirar esse plano do papel. Cada ação terá um prazo. Jamais deixe de respeitá-lo e acreditar que o sucesso virá.

7. Nunca perca a esperança

É possível que, mesmo diante de um planejamento meticuloso, os resultados mais evidentes demorem um pouco para chegar. Isso porque, como já falei, não podemos acelerar ou retardar o tempo.

Alguns fatores externos também poderão nos trazer complicações. É impossível prever todos os riscos na fase de planejamento.

Esteja ciente de que o plano de ação não é estanque. Uma de suas fases é o monitoramento de resultados ou avaliação. Avaliamos para diagnosticar. Caso esse diagnóstico não seja o que esperamos, fazemos os ajustes necessários. Por isso o plano não pode ser fechado.

Tenha paciência e não perca a esperança.

Na verdade, a esperança é uma das receitas que proponho em meu livro “10 receitas para uma vida melhor”, o qual indico como leitura basilar de Arquitetos de Vidas.

Espere, mas espere agindo. Essa é a esperança que o Padre Fábio de Melo chamou de operante.

Até o nosso próximo encontro. Grande abraço!

PS.: Texto originalmente publicado em minha coluna na Revista Statto.

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